segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Qd tc na net, eh axim q vc escreve? E fora da net ... também?




Os professores costumam reclamar do excesso de "internetês" nas redações dos alunos, mas também afirmam que não existe variação linguística menos válida que outra.
Então que postura os educadores devem adotar diante dessas influências da tecnologia: aceitar, rejeitar? 

 
A seguir veja o resumo de uma reportagem de Maurício Guilherme Silva Jr. e Virgínia Fonseca, retirada de revista Minas Faz Ciência, set/nov de 2012, pag. 6 à 11, que trata desse tema.

#prontofalei

Pesquisas revelam equívoco nas estimativas do senso comum: a escrita informal dos jovens nas mídias sociais _ e outros ambientes da comunicação contemporânea_ pode ser benéfica ao aprendizado




A linguagem utilizada em ambientes virtuais de comunicação trata-se de um modo de expressão cada vez mais frequente, facilmente encontrado em situações comunicativas engendradas por jovens com o auxílio de objetos hoje cotidianos (e essenciais), como celulares e computadores, desde que conectados á internet.

Em nome da agilidade na troca de informações os usuários lançam mão de artimanhas como abreviaturas, gírias e símbolos, além de uma série de onomatopeias. Até que ponto, porém, essa dinâmica seria capaz de influenciar a qualidade da escrita dos estudantes?


Isso pode, sim, influenciar o aprendizado da língua culta, mas acredito que para o bem. Quanto mais se escreve, mais se aprende a escrever. Quanto mais recursos linguísticos são explorados, mais ricos ficam os textos”, destaca a professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Carla Viana Coscarelli.

Para a diretora de Divulgação Científica da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG, Silvana Sousa do Nascimento “Hoje, a questão é que o professor, por vezes não nativo nessas tecnologias, deve conseguir ajudar o aluno a transitar entre o lugar em que ele está e a posição de reconhecimento da norma culta, dos diversos contextos, das linguagens _ que sempre serão múltiplas”.

Neste cenário, pode-se afirmar que a linguagem empregada depende da situação de comunicação instaurada _ ou, em outros termos, dos objetivos dos interlocutores, assim como do grau de familiaridade entre eles. Da mesma forma, é preciso considerar a capacidade do destinatário interpretar corretamente a mensagem emitida.

Segundo Coscarelli, “Os usuários mudam _ ou deveriam fazê-lo_ sua maneira de se expressar em várias situações. Nos bate-papos, escreve-se de um jeito; já no e-mail de trabalho, o formato costuma ser bem diferente”.

Segundo o Professor do Departamento de Linguagem e Tecnologia, Jerônimo Coura Sobrinho a escola, às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado apenas em contextos específicos, o que acaba por desestimular o aluno, que não vê sentido em empregar tal modelo em outras situações.

No entanto, a professora Silvana Nascimento ressalta que as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, de modo a dominar outros códigos.

O papel da escola seria, justamente, mediar tal contextualização. Segundo os pesquisadores, isso pode ser feito por meio do uso, no ambiente escolar, das próprias tecnologias comunicativas.

Para a docente dos cursos de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e do Centro Universitário de Belo Horizonte, Lorena Peret Teixeira Tárcia, o atual contexto trouxe à tona uma realidade anterior aos computadores: o analfabetismo funcional e a da dificuldade de expressão de crianças, adolescentes e adultos formados ou em processo de formação. Em sua experiência com crianças e adolescentes, a pesquisadora percebe que aqueles que possuem base educacional consistente sabem se posicionar nas mais diversas circunstâncias comunicacionais: tais jovens escrevem bem quando o momento é formal, assim como absorvem conteúdos e se integram de forma criativa nas situações de informalidade. Entretanto, quando a formação educacional do jovem não é sólida, as fragilidades se revelam nas redes.


Os estudiosos são unânimes em tratar as novas tecnologias como ferramentas a serem usadas a favor do processo de aprendizagem. Contudo, se não houver propósito coerente com o projeto pedagógico, a tecnologia, de maneira abrangente, não representará um diferencial significativo. A instituição precisa se envolver nesta cultura, assim com deve incentivar a comunicação acadêmica.

A pesquisadora Lorena Tárcia afirma que “Os estudantes se entusiasmam, tornam-se parceiros dos professores, que nem sempre dominam aspectos técnicos, mas dominam a construção do conhecimento e trabalham juntos neste propósito”.

 Ainda existe muita resistência dos professores em adotar as ferramentas tecnológicas como recurso pedagógico, mas é certo que diferentes formas de aprendizagem ampliam o repertório cognitivo dos educandos. O uso de áudio, vídeo, hiper-texto ou infografia permite que os alunos percebam o mundo a partir de parâmetros diferenciados.Esta vivência enriquece até a escrita deles, pois expande sua capacidade de compreensão e reflexão sobre o mundo e a realidade em que inserem”, afirma Lorena.

É fato, concordam os cientistas, que os alunos estão envoltos neste universo e a escola não pode estar alheia às mudanças.

3 comentários:

  1. Olá.
    Postagem divulgada no Portal Teia.
    Sempre com ótimas postagens ,parabéns.
    Até mais

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  2. Portal Teia sempre apoiando o blog i-Rita.
    Muito obrigada!

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  3. É um problema bem complexo esse negócio. Lutar contra a maré é quase impossível, aliás, por incrível que pareça, noto que os adolescentes veem como "brega" o ato de escrever sempre corretamente. Mas um educador nunca poderá ver isso como normal.

    Antigamente o ditado era: "A mãe educa e a avó deseduca". Agora podemos trocar mãe e avó por professor e internet, respectivamente...

    Gostei do seu blog Rita, foi uma grata surpresa ver que também era uma educadora.

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