quarta-feira, 8 de abril de 2015

Interpretação de textos sobre Relação entre a propaganda e o consumismo.

O consumismo inconsciente das crianças (adaptado)

            As propagandas existem para influenciar pessoas, pensamentos e seu comportamento de acordo com o interesse do patrocinador. O segredo delas é o envolvimento emocional que tentam proporcionar a seu público-alvo. A televisão é o meio em que a publicidade mais atinge as crianças e sabe-se que é muito mais fácil fixar um hábito durante a infância, já que é nesta fase que a percepção está sendo estruturada, tornando-se também mais difícil modificar algo assimilado nesse período.
           Com isso, as propagandas, principalmente na TV, têm inovado sua apresentação de forma abusiva. A maneira com que apelam para se obter a atenção de um possível consumidor é que prejudica a saúde, e o desenvolvimento do caráter, personalidade e autoavaliação de consumo por parte das crianças.
           Hoje, enquanto criança, o indivíduo estrutura sua percepção do consumo como o grande prazer, gozo maior que o brincar, o aprender com a experiência, o construir seu conhecimento com o mundo. Precocemente, a meninada é induzida a crer que os produtos de grife são sua identidade. As crianças querem usar roupas de grife, tênis de marca, porque neles estão expressos, embora que simbolicamente, a que meio social pertence, ou que a ele deseja pertencer, tudo isso pautado no consumismo. É como se fosse uma aura que envolve o produto. Por que nesse jogo de interesse as crianças crescem com um novo pensamento, com novas ideologias: deixam de "ser" para "ter" e passam a "ter" para "ser".
            Os propagandistas descobriram também que a falta do convívio dos pais com os filhos está diretamente ligada ao consumismo exacerbado das crianças. Eles, os pais, passam a realizar tudo o que seu filho deseja desde uma marca de celular a um delicioso hambúrguer.
            Nesse contexto, a dificuldade dos pais driblarem a sedução dos anúncios voltados para o público infantil gera polêmica.
            Em todo o mundo há instituições voltadas para combater abusos, há até quem defenda a proibição desses comerciais, como é o caso da ONG Instituto Alana. Segundo a presidente, Ana Lucia Villela, "as crianças ainda não conseguem criar um juízo de valor sobre o que veem na televisão. Até os seis anos de idade, elas não sabem o que é comercial ou programa".
            Todavia, para que uma propaganda possa melhor convencer uma pessoa a comprar algo de que ela não necessita, ela é, em sua maioria, formada por um texto cuidadosamente selecionado em seus componentes linguísticos e visuais. Sendo assim, cabe aos pais ensinar os filhos a avaliarem melhor o que lhes está sendo oferecido e a fazer a distinção quando, por exemplo, seu super-herói está à frente da mensagem. Dessa forma a criança irá, desde cedo, criar hábitos mais conscientes de consumo.
              Além disso, dar um basta radical para esses apelos infantis não é a melhor saída. Uma sugestão de Mauro Halfeld, economista e colunista da revista Época e da Rádio CBN, "é fazer um bom acordo com as meninas e os meninos. Usar um desses produtos que eles querem adquirir como recompensa para missões importantes, como por exemplo, um excelente resultado na escola, ou uma bela arrumação no quarto. Não estabelecer missão fácil e fugir dos prêmios mais caros". Seria uma ótima opção para acabar com o consumismo exagerado dessa nova geração.

Após a leitura do texto, responda em seu caderno:
  1. Qual é o problema descrito no texto?
  2. De acordo com o texto, quais são os recursos usados pelas propagandas para convencer o consumidor?
  3. De acordo com o texto, por que as crianças querem ter os produtos anunciados na mídia, ou seja, o que esses produtos simbolizam?
  4. Quais são as soluções apresentadas pelo texto pra resolver esse problema?
  5. Consumo, propaganda e suas consequências


 Consumo, propaganda e suas consequências

               A propaganda influencia o modo de vida das pessoas ou apenas reflete tendências? Esse é um dilema recorrente que a sociedade vivencia diariamente e vale para todas as questões, inclusive para o meio ambiente.
               Esta semana vi um anúncio de uma montadora de automóveis cujo título espelha bem essa dúvida: “Sofisticação é ter mais do que você precisa e tudo que você deseja”. Assinado por uma grande agência de São Paulo e aprovado por uma multinacional francesa, essa propaganda foi veiculada em página dupla de uma revista de circulação nacional.
               Como assim? Sofisticação? Já é ruim pelo significado explícito, mas fica pior ao lermos as entrelinhas do título. No dicionário encontramos refinamento e esnobação como significados de sofisticação. Então podemos traduzir que ser refinado ou esnobe é ter mais do que você precisa e tudo que deseja.
               Ter mais do que você precisa não é sofisticação, é desperdício tolo. É acumular coisas desnecessárias, consumir de forma irracional e estimular o uso predatório dos recursos naturais. Numa época em que discutimos aquecimento global e desenvolvimento sustentável, um anúncio desses parece um despropósito imenso. É usar a inteligência e talento publicitário para imprimir uma sandice sem tamanho.
               Mas aí entra a segunda parte do questionamento. Afinal a propaganda é só uma ciência que estimula o consumo a qualquer preço ou tem uma utilidade maior? Fico muito à vontade para falar sobre propaganda e acho ótimo debater sobre o tema. Sou publicitário e lido diariamente com a questão, mas gosto de analisar sob a ótica da função do ofício. Não acho que propaganda sirva para vender tudo para qualquer pessoa, nem mesmo para convencer, enganar ou estimular o consumo desenfreado.
               Nossa profissão é séria, conta com profissionais que se destacam no mundo todo, cria trabalhos fantásticos, tem responsabilidades, possui um Código de Ética e até mesmo um Conselho de Auto Regulamentação Publicitária – o CONAR. Apesar de tudo isso, às vezes derrapa feio, como nesse anúncio de automóveis. Mas é necessário analisar que todo anúncio espelha com exatidão o pensamento do cliente. Aí já entramos na filosofia do anunciante, em seus valores e crenças.
Infelizmente, “ter mais do que você precisa e tudo que você deseja” é visto como sinônimo de sucesso. Êxito profissional e pessoal são medidos pelo que ostentamos, pelo que consumimos e aparentamos ser. Não quero apontar o dedo e afirmar que este nosso comportamento é certo ou errado, apenas propor uma reflexão sobre como os fatos estão interligados.
               Quando estimulamos e propagamos a ideia de ter mais do que precisamos, estamos na verdade alimentando o desperdício e um modo de vida altamente comprometedor para o futuro do nosso planeta. Ter tudo que desejamos pode ser um estímulo para vencermos as dificuldades, mas e no caso de uma criança? Será que os pais e mães devem ceder a todos às vontades dos filhos? Dar a eles tudo que querem? E quantas vezes nós mesmos não agimos como crianças mimadas e queremos tudo?
               Preservação ambiental e egoísmo são imiscíveis, não se misturam por nada, são absolutamente incompatíveis. É importante agirmos com consciência coletiva, pensar e viver de acordo com o desenvolvimento de nossas virtudes e não com a repetição de vícios e defeitos. A evolução é um caminho sem volta, mas muitas vezes ficamos parados feito poste diante de tantas opções para exercitarmos nosso egoísmo, vaidade e orgulho.
               O anúncio do automóvel tenta nos convencer que “sofisticação é ter mais do que você precisa e tudo que você deseja”, mas também nos estimula ao raciocínio lógico sobre qual mundo estamos construindo. Queremos viver nesse mundo falsamente sofisticado, ou optaremos por valores mais saudáveis para nós e nossos filhos? Cada um tem uma resposta. Qual é a sua?


Após a leitura do texto, responda em seu caderno:
  1. De onde o autor do texto retirou a frase “Sofisticação é ter mais do que você precisa e tudo o que você deseja”?
  2. De acordo com o texto, o que significa a frase “Sofisticação é ter mais do que você precisa e tudo o que você deseja”?
  3. Por que, segundo o texto, estimular o consumo de coisas desnecessárias é prejudicial?
  4. De acordo com o texto um slogan de propaganda comercial como o mencionado no segundo parágrafo pode ter dois objetivos. Que objetivos são esses?

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